Estamos em Comodoro, a meio caminho entre Rio Gallegos (ou Jagegos, como dizem os Argentinos) e Bariloche.
Ora bem, das 3 boleias que precisávamos (El Calafate – Rio Gallegos (1), Rio Gallegos – Comodoro (2) e Comodoro – Bariloche (3)) só nos safamos na primeira. Depois disso, nadinha de “dedo” (expressão local para “boleia”) funcionar, pão mesmo. Estamos agora numa bomba de gasolina, em Comodoro, à espera do bus, depois de uma manhã de dedinho falhada.
O aspecto positivo foi que, pelo menos, a boleia que apanhámos foi em grande. Ora vejamos. Tudo começou pelas 9h da manhã, fizemo-nos à estrada e fomos tentar a nossa sorte a solicitar dedo à saída da cidade. Passados uns 20min de insucesso, eis que aparece outra pareja de mochileiros que se coloca num ponto estratégico mais à nossa frente (isto é, os carros passavam primeiro por eles). Grandes sacanas, cretinos, esta malta da mochila não tem grande educação. Foi o chamado dropinar do esperto, e nós, burros, deixámo-nos mesmo ser dropinados. Passados uns 30min, aparece outro casal de mochileiros, mais civilizado, que se coloca a seguir a nós e pára um carro que leva os primeiros. Por esta altura, creio que um deles tenha tido um pé torcido e o outro, uma vespa ter-he-á entrado olho adentro, com as pragas que lhes roguei.
Nesse momento, o segundo grupo de mochileiros começava já a fazer movimentação estratégica para a grande área (local onde tinham estado os outros cretinos) mas nós desta vez não nos deixámos sacanear e chegámos lá primeiro (vá, estavamos mais perto, de modo que não foi muito difícil). Aí só tivémos que esperar us 15 minutos até aparecer a nossa boleia, o Javier e o Jordi (nomes fictícios), dois rapazes boa onda, pouco mais velhos do que nós.
Acho que devemos ter um ar muito confiável, uma cara que inspira segurança a terceiros mesmo. Não passaram sequer dois minutos de termos entrado no carro e já nos estavam a perguntar se tínhamos “carnera de conduction” e se não poderíamos ir nós a conduzir, pois estavam cansados. E assim foi, depois de pararem na bomba de gasolina e de nos comprarem uns folhadinhos sem nada (sim, eles comem mesmo folhados sem nada por dentro por aqui, é tipo um mil folhas mas só com massa e sem açucar em pó) a ver se nos convenciam – a boleia a tentar “comprar” o boleiante – , o Manel lá foi para o volante. Nem quiseram confirmar se ele tinha, de facto, carta de condução, tal era o nosso ar respeitoso.
Um pormenor interessante sobre a viatura era que as mudanças, apesar de serem manuais, tinham vida própria. Estávamos em 5ta, a 100 km/h, e o carro ia dando uns solavancos, como se a 5ta estivesse em guerra com a 3ª, lá dentro da caixa. Isto para além do painel ter umas três luzinhas acesas. Enfim, detalhes, o automóvel estava como novo. E o Manel conduziu-a impecavelmente, apesar de ter andado durante uns metros em contramão (está habituado a conduzir em Inglaterra, coitado) ou de quase ter entrado numa rua proibida , o que deixou o Javier algo sobressaltado, mas chegámos são e salvos.


O Franck acha que na volta o carro era roubado e que se fossem apanhados pela policia vocês é que iam dentro! E aconselha-os da proxima vez a pedirem vocês para ver os documentos do carro.
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