Depois de quase cinco anos a trabalhar em terras de sua majestade, a rainha Isabel II, decidimos fazer-nos à vidinha. Não sabíamos como iriamos continuar a existir sem yorkshire puddings ou mince pies – na época natalícia (que, ao contrário do que o nome indica, não são empadas de carne picada mas sim de passas) -, o que na verdade era apenas uma desculpa esfarrapada para ficar pois não estávamos assim tão aculturados ao ponto de gostar efectivamente destas iguarias gastronómicas da região. O sol radiante que se fazia sentir em Londres, surpreendentemente, não pesou muito na decisão. É certo que Londres é uma das primeiras cidades da europa que nos vem à cabeça quando pensamos em sol e, de facto, sentimos uma quebra de energia desde que de lá saímos, provavelmente na sequência dos nossos níveis de vitamina D terem caído, mas há sempre a opção de tomá-la em comprimidos. Na verdade, desde que lá chegámos que tínhamos este pequeno grande sonho de viajar pelo mundo, na altura achámos que seria muito cool fazer um ano sabático de um futuro eventual emprego para “dar a volta ao mundo”, viagem que depois viemos a concluir só ser possível fazer nesse espaço de tempo se quiséssemos passar para aí 200 dias do ano dentro de um avião. E não gostamos assim tanto de aviões, apesar de o Manel ser um pouco geek da área por ter trabalhado até à data numa companhia aérea. Marcámos a viagem e depois o casamento pois pareceu-nos que ir em “lua-de-mel” seria um óptima desculpa.
Enfim, tomámos então uma decisão mais realista que era a de fazer uma viagem da Patagónia ao Alasca, por terra e água (queremos cruzar o Amazonas e o canal do Panamá) depois de termos ouvido alguém soltar essa ideia num podcast. Pareceu-nos gira! Achámos que um ano ou ano e meio seria suficiente. Mal começámos, percebemos logo que isso só seria possível se fossemos fazer a viagem de ferrari (mas nunca mais sai o totoloto, pelo que resolvemos fazer grande parte à boleia), as estradas na América do Sul fossem tão boas como as de Portugal, o Brasil não fosse maior do que a europa, entre outras razões. Em todo o caso, alguns amigos (que certamente não lêem o blogue) ainda acham que estamos a dar a volta ao mundo e perguntam-nos recorrentemente “como está a ser a vossa volta ao mundo?”.
Num casal, há sempre aquele elemento que gosta de planear as viagens. Neste, nenhum. Por esta razão, adiámos a questão até ao início da aventura e, mal começámos, percebemos que não planear nada tinha sido uma óptima e libertadora ideia. No momento em que escrevo, já passaram 9 meses de viagem. Conseguimos chegar ao Perú (emoji de êxtase) e já passámos pela Argentina, Chile, Bolívia e Brasil. Feitas as contas, não teríamos uma previsão de quando chegaríamos por isso não está mal de todo. Agora, daqui ao Alasca em 6-9 meses é que já não nos parece muito viável até porque não dá propriamente para vagabundear pelo Alasca de Outubro a Março devido à neve (e o ferrari teima em não vir), o que significa que seriam precisos mais de 2 anos para lá chegar. Posto isto, reduzimos a nossa meta para o México, assim poderemos aproveitar melhor os lugares que visitarmos até lá. De qualquer forma, já tínhamos duvidado se nos deixariam entrar nos EUA por termos um carimbo do Irão no passaporte (para além do Manel parecer iraniano). Em todo o caso, se, entretanto, chegar o ferrari (um bmw já bastava, não somos assim tão fanáticos com marcas) pode ser que mudemos de ideias e continuemos.
Depois deste inútil testamento, não há muito mais a dizer sobre nós, mas muito resumidamente:
– Teresa: provavelmente com antepassados vikings, tez sardenta e esbranquiçada (foi em tempos apelidada de lixívia), cabelos castanhos brilhantes a contrastar com uns bonitos olhos esverdeados (aquele castanho quase verde). Vítima de estupidez inata. É também a autora de todas as palavras que entram no blogue, que o Manel gosta de fazer outras coisas nos seus tempos livres, e, por isso, muitos dos nossos posts são narrados com ligeira idiotice à mistura.
– Manel (nome real Manuel): definitivamente tem antepassados mouros, passa por local em todos os países do médio-oriente, cabelos castanhos escuros a fazer pandan com os seus olhos também castanhos e pele bronzeada. Só tem qualidades por isso não há grande coisa a acrescentar aqui. É o fotógrafo de serviço. Tem feito um bom trabalho mas está a dar os seus primeiros passos nesta profissão portanto merece sempre um desconto e, quando a coisa não sai bem, concordamos que o problema é da iluminação.
Ah, já me esquecia, não temos qualquer patrocínio da Quéchua. O nome deu-se porque vamos efectivamente passar pelas terras do povo Quéchua. Não que o nome do blogue nos tivesse passado pela cabeça por causa da marca de roupa/acessórios viagem dessa marca, que por acaso veste o Manel dos pés à cabeça. Não se pense isso, nada disso. Mas se a Quéchua quiser vir aqui oferecer qualquer coisa, logo pensamos se aceitamos ou não, também não nos venderemos assim a qualquer preço.
PS: somos uma nódoa no instagram mas estamos a tentar melhorar a ver se conseguimos mais de 10 leitores por mês para o blogue (em que 9 são da nossa família).
