Depois de mais três maravilhosos dias em cama de rede, num cruzeiro de elite, chegámos a Lagunas para uma visita à selva, mais concretamente ao Parque Natural Pacaya Samira (porque na Amazónia, não é tudo selva, gente, também há cidades).
A boa notícia é que sobrevivemos à vida selvagem. Foram quatro bonitos dias no meio da floresta, a explorar diversos habitats alheios, muitos de canoa e alguns a pé. Vimos várias espécies de macacos, cujos nomes naturalmente já não me recordo, uma anaconda (destaque para a guia Sónia, com poderes visuais sobrenaturais, que avistava anacondas e outros seres do género escondidos entre árvores e vegetação, a quilómetros de distância), iguanas, pelicanos, louros, preguiças, corujas, águias, garças, lobos marinhos, golfinhos e até crocodilos, ou melhor, olhos de crocodilo, que o bicho é recatado.
Destaque para um safari de canoa, à noite, em busca de crocodilos. Estávamos a observar um destes pequenos seres de muito perto – ele estava debaixo de água – quando o bichinho se assustou, saltou em nossa direção, quase mordeu a canoa e mergulhou de rompante, fugindo a todo o gás da raça humana, isto depois de ser importunado pelo remo do nosso guia, que tentava fazê-lo mexer para que o víssemos em acção. Houve quem lhe visse todo o corpo, eu, no auge da coragem, fechei os olhos nessa altura pois achei que ver e sentir o meu braço ser mordido por um crocodilo seria um pouco mais penoso do que apenas senti-lo a ser mordido. Os momentos que se seguiram, em que continuámos a busca por outros animais da mesma espécie, foram também de súplicas profundas (não só minhas mas também do Manel, eu bem sei) para que não encontrássemos mais nenhum, apesar de o Santiago, o nosso guia, nos assegurar sempre de que eles não atacavam humanos. Eu até acredito mas acho que prefiro não estar presente quando for a primeira vez. Para além disso, estávamos na mais profunda escuridão, nem dava para ver se, por acaso, estávamos a ser cercados por cobras. E eramos também acompanhados pela sinfonia ambiente da selva, que inclui barulhos de várias espécies desconhecidas, entre os quais um pássaro que faz sons de robot (parece que estamos a meio de um jogo de computador).
De qualquer forma, o animal que mais deu o ar da sua graça e que nos atacou com todas as suas manhas foi mesmo o mais mortífero do mundo, esse insignificante ser chamado mosquito. Por isso, nas visitas a pé à selva, tínhamos que nos proteger com o kit da moda capa-da-chuva-com-nuvenzinhas-e-gotas (a única que protege eficazmente das picadas pois estes imbecis conseguem furar toda a roupa com as suas picadas), apesar de não pingar nada e de fazerem uns 40ºC com aquela humidade típica do habitat do Tarzan.
Para além do contacto com as espécies nativas do local, pudemos ouvir várias das lendas da floresta, na voz do Santiago, sendo que todas metiam animais que se transformavam em humanos ou o inverso e violadores, como por exemplo (1), o marido que saía de casa para caçar e se transformava em águia, ao passo que a sua mulher desconfiava por ele voltar com tanto peixe e tão rápido. Contudo, quando obrigou o marido a contar-lhe o seu segredo, este ficou águia para sempre; (2) ou a mulher que ficava em casa enquanto o marido saía para pescar e era violada por um golfinho sem, no entanto, perceber quem era o abusador já que quando o animal lhe tocava à campainha (com a cauda, suponho), transformava-se em humano e punha-la a dormir momentaneamente. Ela só tinha consciência de que tinha sido violada quando acordava mas julgava que o autor do crime era o seu marido, que voltaria mais cedo da pesca. Ao confrontá-lo com a situação, ele negou tudo e acabou por fazer uma espera ao golfinho, matando-o a tiro.
E pronto, foi isto. Estamos agora à espera do último barco (desta vez vamos em lancha rápida, os chiques) para Yurimaguas, onde vamos passar umas semanas num centro espiritual.
PS: A lancha rápida que era suposto demorar 3h a chegar, acabou por demorar 9h tal era a lixeira no rio, que fez com que o barco só tivesse um motor a funcionar, já que o segundo estava cheio de lixo.
PS: O Manel fez um bonito vídeo da nossa passagem pela selva que poderá ser visualizado no instagram já que o nosso blogue (verão grátis!) não suporta vídeos.














Fantástico. A capa das nuvens é o máximo. Os crocodilos fogem é dela. Ha, ha.
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