O Chile é muito caro, A única coisa barata por estas banda é comprar roupa e electrodomésticos (porque os impostos sobre importações são muito baixos). Os Argentinos vêm comprar roupa ao Chile tantas vezes como os Portugueses vão pôr gasolina a Badajoz.
Já passamos a fronteira Argentina-Chile por duas vezes e acontecem sempre algumas coisas engraçadas. Tal como da primeira vez que entramos, também agora tivemos que preencher a fichinha a declarar os bens alimentares que trazemos. No Chile, não se pode entrar com nada que não seja processado, isto é, frutas, legumes, carne/peixe cru, etc. Depois de declararmos os nossos bens, vamos todos para a fronteira, as malas são todas postas fora do autocarro, incluindo malas de mão, e temos que esperar que venha o “head of food” e o seu assistente – dois canídeos com ar de labradores mas que são de outra raça qualquer – analisarem as malas. Enquanto isso, comemos toda a fruta que tínhamos trazido, porque o tuga não deixa nada para trás (da última vez, o Manel comeu todo um abacate à mão, foi bonito de se ver). Depois do head of food selecionar as malas que apresentam perigo para o país, é a vez do head of narcotics (outro canídeo especializado) entrar em acção e fazer uma vistoria a todas as malas. Normalmente saltam umas frutas fora e tal mas ainda não vimos nada mais grave.
Ao que parece, a razão para não se poder entrar com comida no Chile é porque há uns 20 anos (ou 10, já não me lembro), tiveram uma praga que lhes deu cabo da exportação – sendo que se bem se lembram, Pingo Doce e Continente estão recheados de frutas chilenas (kiwi, maçã, etc). Ao contrário da Argentina e do Perú, o Chile exporta muitas frutas e legumes e por isso não quer cá pragas trazidas de países vizinhos.
No Chile também se paga para ir a qualquer casa de banho pública (entre 0.20 e 0.80 EUR sendo que que a maioria está em péssimas condições higiénicas), por isso, como se calcula, estamos sempre a aguentar o xixi – os Chilenos são muito fonas mas o Português também tem algo a dizer neste campeonato. É que, para além de pagarmos, nem temos direito ao papel higiénico que queremos. Há só um rolo de papel higiénico à entrada das casas-de-banho e não dentro das várias casotas, ao lado das retretes. Portanto, para um indivíduo que tenha uma necessidade mais sólida, há duas opcções: (1) ou avisa toda a fila da casa de banho que vai fazer cocó ao retirar papel incessantemente ou (2) tira só o bocadinho básico ( que não chega para muito), passando despercebidamente a um olhar de terceiro mas não isento de consequências posteriores. Estimo que estas questões afectem sobretudo os locais porque os mochileiros andam sempre precavidos com papel higiénico e toalhitas pois nunca se sabe o dia de amanhã.