Depois de termos passado dez dias na cidade maravilhosa, viemos para Ouro Preto, para casa de Jarbas Glauber (Glauber também é nome próprio). Tal como o individuo já enterrado, também o Jarbas é professor de matemática apesar de já não dar aulas há seis anos porque se tornou Director da Escola, com apenas 27 anos – foi o segundo mais novo do estado, sendo que Minas Gerais é maior do que Alemanha.
Ouro Preto é um dos maiores pólos universitários do estado e uma cidade colonial com mais colinas que Lisboa, é um subir e descer constante e capaz de cansar qualquer Rosa Mota. Daqui vinha a maior parte do ouro que os Portugueses, em bom dizer, roubavam ao Brasil, para darem aos Ingleses, nos nossos tempos áureos. A cidade é património da Unesco e está muito bem conservada, ao contrário de muitas outras cidades históricas, no Brasil (como Salvador). As ruas são todas em pedra, e os edifícios e Igrejas (decoradas com talha dourada – mantêm aquele ar de século XVII/XVIII, estilo barroco/rococó. A Igreja de São Francisco de Assis foi inclusive classificada como uma das sete maravilhas de origem Portuguesa no mundo. (porque neste blogue nem toda a informação é inútil, também se aprendem coisas interessantes de valor inestimável). Nunca vi tanto ouro na vida nem conheço nenhuma igreja que se pareça em Portugal. A cidade é bonita mas muito pesada por toda a sua história, há marcas da escravatura em todo o lado, senzalas, o que nos faz reviver um pouco esses tempos, não que o tenhamos vivido mas imaginamos com base no que sabemos.
No Domingo, fomos à nossa primeira feijoada no Brasil, em casa da família Bahiana do Jarbas. A feijoada brasileira ao lado da portuguesa é assim um bocadinho pobre. É basicamente só feijão e umas partes estranhas da carne de porco, orelhas e afins, não tem enchidos (às vezes juntam linguiça mas esta não tinha), nem couve, nem cenoura. Quando falamos que também temos feijoada em Portugal, claro que todos acham que a brasileira é a original, o que segundo o Wikipédia (fonte muito segura) não é verdade, a portuguesa é que é a original. Em todo o caso, muitas pessoas dizem que veio de África e que era comida de escravo, na altura com muito menos carne, o que faz algum sentido. Estão por descobrir as origens da feijoada portanto.
Por falar em comida de sustento, já sabíamos que no Brasil se comia arroz e feijão todos os dias, o que nunca nos tinham contado era que os brasileiros comem arroz com esparguete e com feijão, tudo misturado, uma delícia. Na verdade, se pensarmos bem sobre o assunto, é uma mera combinação de hidratos, como os portugueses fazem com o arroz e as batatas fritas por exemplo (apesar de não misturarmos as batatas no arroz) ou como os ingleses que comem lasanha com batatas fritas, mas continua a fazer alguma confusão. Às vezes, esqueço-me de dizer que quero só o arroz com o feijão e lá vem o completo, sendo que aí como o esparguete todo primeiro para depois misturar o arroz com o feijão, mas felizmente na maior parte dos lugares é self-service, por isso dá para safar a esta nobre combinação.
Em todo o caso, Minas é um dos estados brasileiros mais famosos pela sua culinária, em conjunto com a Bahia e o Pará e, de facto, não ficamos desapontados. Até chegar aqui não estávamos muito bem impressionados com a culinária brasileira que é pouco variada – com tanta matéria prima, o prato típico em todas as casas e restaurantes é arroz, esparguete, feijão e carne, sempre o mesmo. Em Minas já se usam especiarias e há mais variedade, desde gratinados a puré de banana da terra. E é também a terra do pão de queijo, sendo o principal (e melhor) produtor de queijo do país, e da cachaça. A família do Jarbas deu-nos a provar uma cachaça com mais de 50 anos, feita em casa. Ainda estamos a habituar-nos – que isto é para rijos – mas era consideravelmente superior a todas as outras que provámos antes.





